Archive for the ‘Músicas únicas’ Category

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PRINCE – Purple Rain

Outubro 4, 2006

Prince - Purple RainA última música do 6.º álbum de Prince, apesar de, na altura, não ter sido o tema de maior sucesso dos que o compunham, é possivelmente aquela por que o artista é ainda hoje mais conhecido. “Purple Rain” (que, além da música, é também o nome  do álbum e do filme do qual são banda sonora) acabou por ser uma das peças musicais mais bem sucedidasdas de 1984. O álbum que, de acordo com a revista Billboard, permaneceu 24 semanas seguidas no número 1, tornou-se uma das melhores  bandas sonoras de sempre. A própria Rolling Stone colocou-o na 72.ª posição na sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.

Quanto à música particularmente dita, é preciso dizer que valeu a Prince um Academy Award na categoria de Best Original Song Score, que premeia as melhores músicas feitas especificamente para um filme. E não é para menos. Raras são as músicas que consigam transmitir tanto sentimento como esta. Desde a letra, que ganha mais sentido quando associada ao filme, à própria maneira como Prince a canta, Purple Rain é uma música que não deixa de mexer com as emoções. E como se não bastasse já a simples melodia que a compõe, na parte final somos ainda presenteados com um dos melhores solos de guitarra do músico, que mostra bem aquilo de que é capaz, mostrando que o Rhythm & Blues e o Pop que tanto influenciaram a sua carreira não são sinónimo de falta de virtuosismo.

Sem dúvida um dos momentos de maior inspiração de Prince, Purple Rain ficará certamente para a história da música dos anos 80… e não só.

Tendo sido impossível descobrir o vídeo oficial desta música disponível no YouTube (devido a imposições legais), aqui fica a versão só com o áudio.

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GENESIS – Mama

Agosto 24, 2006

Genesis - MamaTendo em conta a longa carreira musical dos Genesis (mais de 30 anos) e as várias fases por que a sua música passou, seria ingrato, para além de praticamente impossível, eleger uma música como a melhor do seu catálogo. Uma coisa, no entanto, é garantida: a banda foi inovadora em inúmeros aspectos, não só nas suas músicas, mas também nos seus espectáculos ao vivo. A teatralidade das interpretações de Peter Gabriel é bem conhecida e, após a saída deste, a prestação de Phil Collins, apesar de diferente, também tinha uma grande dose de espectáculo e carisma.

Esta característica teatral notava-se também em estúdio, tendo algumas músicas um ambiente muito próprio. É o caso de Mama, que deve ser, porventura, um dos temas dos Genesis com mais “personalidade”.

Começando com uma batida de caixa de ritmos muito característica, logo se seguem os arranjos de teclas de Tony Banks que, juntamente com o ritmo bem marcado, dão um tom quase hipnótico à música. Entra a voz de Collins e este brinca com os sons de uma forma que acentua ainda mais o “hipnotismo” para que a música nos leva.

E depois, aquilo que eu diria ser a peça que confere toda a unicidade este tema: a sinistra gargalhada no final do refrão. Incompreendido por muita gente, este capricho dos Genesis foi precisamente a peça central da música. Se a princípio estranhamos a presença deste elemento, com o tempo vamo-nos habituando e passamos a considerá-lo um acto de coragem por parte do grupo, daqueles que acabam por ditar a diferença entre a banalidade ou originalidade de uma banda.

A música continua numa intensidade crescente mas o carácter sinistro mantém-se. O trabalho de guitarra, que passa bastante despercebido durante a maior parte da música, vai-se fazendo notar cada vez mais, com os acordes “rasgados” de Mike Rutherford a preencherem o momento mais melodioso da música (“Can’t you see me mama… mama please…  Can’t you feel my heart?…”).

Acabou por se tornar um dos temas pelo qual conseguimos distinguir os Genesis de outras bandas.

Enfim, quem conhece sabe a que me refiro. Quem não conhece, oiçam. Será, no mínimo, uma experiência…  diferente =)

Para terminar, e a título de curiosidade, a dita gargalhada foi inspirada numa música Rap que Phil Collins tinha ouvido e decidiu experimentar durante as gravações da música. Nas palavras do próprio, “aqui têm como o Rap influênciou os Genesis”.

Este foi o melhor vídeo que consegui encontrar de Mama (a EMI retirou o vídeo oficial 😦 ), que podemos encontrar no DVD Genesis Live at Wembley Stadium.

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QUEEN – Bohemian Rhapsody

Agosto 22, 2006

Queen - Bohemian RhapsodyPara abrir esta nova categoria no blog, acho que não poderia haver outra escolha que não esta obra fenomenal dos Queen. Bohemian Rhapsody é, para mim, aquela que poderia ser considerada, simplesmente, a “mãe” de todas as músicas, por tudo aquilo que a torna única: primeiro, porque “mãe há só uma” e Bohemian Rhapsody também =P; segundo, por ser uma obra-prima como mais ninguém conseguiu fazer (nem mesmo os próprios Queen conseguiram repetir o feito); e, por último, a intemporalidade da música, que ainda hoje ouvimos sem achar “antiga”… ou melhor, reconhecemos que é “antiga”, mas não desactualizada.

Foi em 1975 que o quarteto britânico lançou A Night At The Opera, já em si um primor de produção, de onde se destacou, precisamente, Bohemian Rhapsody, a par da balada Love Of My Life e outros êxitos (a título de curiosidade, é de lembrar que os Queen continuam a ser a única banda até agora em que cada um dos membros escreveu pelo menos um “hit”).

O que torna esta música tão especial é o facto de parecer uma autêntica “manta de retalhos” em que cada bocado foi habilidosamente ligado ao seguinte, sendo o resultado obtido uma mistura de estilos musicais extremamente bem conseguida em que tudo parece estar no sítio certo. As passagens do pop/rock inicial em ritmo de balada para o estilo ópera a meio da música e, depois, deste para a batida mais heavy que termina com o regresso aos ritmos mais calmos foram de tal forma executadas que a sensação que nos dá é a de que “só podia ser mesmo assim”, aquelas passagens fazem sentido, não haveria outra hipótese de o fazer. A magia desta música encontra-se precisamente aí, na forma como os Queen conseguiram aquilo que, mesmo para os produtores que trabalhavam com eles na altura, parecia um falhanço garantido. Como hoje se sabe, estavam enganados.

Para terminar, é de referir o facto de esta música ter sido das primeiras (se não mesmo a primeira) a ter um vídeo promocional especificamente feito com esse propósito, o que também ajudou muito no sucesso desta obra-prima.